Postado as17:50 por RAFAEL ARAUJO -
MANO CAETANO
Caetano Veloso andou falando umas merdas por aí final de semana passado. E eu, por acaso, soube que Lobão tem uma música assim...
"Para o Mano Caetano"
(Lobão)
O que fazer de ouro-de-tolo
Quando um doce bardo brada a toda brida, Em velas pandas,
suas esquisitas rimas / Geografia de verdades, Guanabaras postiças
Saudades banguelas, tropicais preguiças?
A boca cheia de dentes / De um implacável sorriso
Morre a cada instante
Que devora a voz do morto,
e com isso / Ressuscita vampira, sem o menor aviso
A voz do morto que não presta depoimento / Perpetua seu silêncio
de esquecimento
Na lápide pós-moderna do eterno desalento/ E é o Raul, é o Jackson,
é o povo brasileiro / É o hip hop, a entropia, entropicália do pandeiro
Do passado e do futuro,
sem presente nem dever
É o puteiro que os canalhas
Não conseguem habitar... mas
cafetinam / É a beleza do veludo
Que o submundo tem pra dar...
mas os canalhas subestimam
E regurgitando territórios-corrimões
De um rebolado agonizante
Resta o glamour fim-de-festa-ACM
Império do Medo carnavalizante
Será que a hora é esta?
A boca cheia de dentes vaticina:
NÃO pros mano, NÃO pras mina
SIM, pro meu umbigo, meu abrigo
Minhas tetas profanadas
Santo Amaro doce amaro, vacas purificadas / Amaro bárbaro, Dandi-dendê / Minhas narinas ao relento
Cumulando de bundões que,
por anos acalento
Estes sim, um monte de zé-mané
Que sob minha égide se transformam em gênios
Sem quê nem porquê
Sobrancelho Victor Mature
Delineando barravento
Eu, americano? Não. Baiano.
Quem puder que me desnature.
Soy lobo por ti Hollywood
Sob o sol de Copacabana
E eu... soy lobo-bolo? Lobo-bolo...
Tipo, pra rimar com ouro-de-tolo? Oh, Narciso... Peixe Ornamental! Tease me, tease me outra vez / Ou
em banto baiano / Ou em português de Portugal Se quiser, até mesmo em americano De Natal. Isso é língua! Língua em festa! Que um involuntário da frátria
Com certeza me empresta
Numa canção de exílio manifesta
Aquele banzo baiano... Meu amado Caetano / Me ensinando a falar inglês / London, London
E verdades, que eu, Lobón, contesto / Como empolgado aprendiz / Enviando essa aresta
A quem tanto me disse e me diz:
Amado Caetano: Chega de verdade
Viva alguns enganos...
Viva o samba, meio troncho,
Meio já cambaleando
A bossa já não é tão nova
Como pensam os americanos
A tropicália será sempre o nosso
Sargeant Peppers pós baiano
O Roque errou, você sabe,
Digo isso sem engano
E eu sei que vou te amar,
seja como for, portanto
Um beijo no seu lado super bacana
Uma borracha no dark-side-Macbeth-ACM, por enquanto
Ah! Já is me esquecendo! Lembranças do Ariano
Lupicínias saudações aqui do mano,
Esta bala perdida que te fala, rapá! Te amo, te amo.
E um recado pro Caetano: Mermão, quem fala mal do bom e velho Rock 'n Roll, tá comprando briga comigo!!
